Ela deu entrada na maternidade ainda com o vestido de noiva e teve que fazer uma cesárea de emergência.
Entenda o caso
Casar e ser mãe, esse era o sonho da enfermeira Jéssica Victor Guedes, 30 anos.
Quando engravidou do noivo, o tenente Gonçalves, ambos de São Paulo, eles decidiram realizar a cerimônia de casamento, antes de a filha, Sophia, nascer.
Segundo a Tentente Mariana, da Seção de Comunicação Social do 46 Batalhão da Polícia Militar, no último sábado (14 de setembro), enquanto se preparava para subir ao altar, Jéssica, grávida de 7 meses, começou a se sentir mal e acharam que era ansiedade por causa do casamento.
Afinal, tinha chegado o grande dia. “No trajeto até a igreja, onde o noivo e os convidados a aguardavam para a cerimônia matrimonial, ela começou a se sentir mal novamente”, conta Mariana.
Uma prima dela entrou correndo, pelo tapete, e me contou que ela tinha desmaiado.
Eu tirei ela da limosine, comecei os primeiros socorros e pedi ajuda dos meus amigos bombeiros [ele foi bombeiro durante 7 anos] que estavam lá”, disse o tenente Gonçalves em entrevista exclusiva a CRESCER.
Ela foi levada a um hospital de SP que o convênio atendia, porém, devido à complexidade do caso, ele preferiu transferi-la para o Hospital e Maternidade Pro Matre Paulista (SP), que não faz parte da cobertura do seu convênio.
Jéssica teve um AVC hemorrágico, por conta de uma eclâmpsia, e também uma hemorragia interna que teve que retirar o útero.
Já chegou à maternidade sem atividade cerebral. Segundo Mariana, a equipe realizou uma cesárea de emergência para salvar a vida da pequena Sophia, que nasceu de 29 semanas, pesando 1 kg.
A bebê prematura está recebendo todos os cuidados na UTI Neonatal.

Como o casal gastou muito com o casamento e o tentente Gonçalves, na tentativa de salvar sua esposa e filha, decidiu levá-la ao hospital que não era coberto pelo seu convênio, amigos decidiram fazer uma vaquinha virtual para ajudar com os custos de internação e UTI, inclusive da pequena Sophia.
O site para ajudar é http://www.vaquinha.com.br/vaquinha/tenente-goncalves.

O tenente Gonçalves também lembrou da alegria da noiva. “Ela era alegre, de bem com a vida, um ser de luz.

Estava muito feliz com o casamento e com a gravidez. Eu ainda não acredito que tudo isso aconteceu.
Parece que estou em um filme triste, que você chora, chora, chora, mas sai da sala de cinema e percebe que foi só um filme.
No meu caso, o filme não acabou e o sofrimento será para sempre”, disse emocionado.
Com a constatação da morte cerebral de Jéssica, a família decidiu atender ao próprio pedido dela e vão doar os órgãos, o que já está sendo realizado.
Em nota, a Pro Matre Paulista disse que: “No momento, toda a equipe da maternidade está priorizando o apoio, conforto e atenção às famílias do Tentente Gonçalves e da paciente, ajudando-as com todas as providências necessárias”, diz a nota.
Pré-eclâmpsia na gravidez é grave
A pré-eclâmpsia está entre as principais causas da mortalidade materna, e vem crescendo no Brasil, mesmo diante de todo o avanço da medicina.
Hoje, no país, o índice de mortalidade está em 64,5 óbitos maternos para cada 100 mil nascidos vivos – número bem acima da meta firmada com a Organização das Nações Unidas (ONU), que é de 30 óbitos para cada 100 mil nascidos vivos até 2030, conforme os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.
E muito disso – 20%, segundo dados do Ministério da Saúde – se deve ao grupo das doenças hipertensivas. Nele, estão incluídas a eclâmpsia (52%) e a pré-eclâmpsia (44%), praticamente com metade das mortes para cada.
A pré-eclâmpsia é uma doença que pode aparecer tanto na gestação quanto no pós-parto, caracterizada por aumento da pressão arterial associado a alguma disfunção de órgãos (rim, fígado, cérebro) e presença de proteína na urina.
Acontece uma falha no momento em que a placenta penetra no útero materno, o que gera uma modificação dos vasos placentários, reação inflamatória que propicia pressão alta e outras alterações.
“A causa é desconhecida, mas, provavelmente, multifatorial. Existem determinados fatores de risco para pacientes terem essa doença, como pré-eclâmpsia na gestação passada, IMC (índice de massa corporal) maior que 25, diabetes prévio à gestação, hipertensão crônica, gestação múltipla, lúpus, histórico familiar de pré-eclâmpsia, entre outros”, explica a ginecologista e obstetra Fernanda Mauro, do Grupo Perinatal (RJ).
A pré-eclâmpsia acontece normalmente a partir da 20ª semana de gestação, quando, segundo o ginecologista e obstetra Alexandre Pupo Nogueira, do Hospital Sírio Libanês (SP).
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